Eu

Beatriz, 24.
Letras.
Noite, lua, chuva, livros, batata frita e chocolate.
Sonha, reclama e acaba sempre com os pés bem firmes no chão.
Um pouco de tudo, uma boa dose de nada, mais que isso, menos que aquilo, e bastante além de tudo.

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Quarta-feira, Julho 01, 2009

Ausência

Preciso voltar a escrever.

Segunda-feira, Março 30, 2009

Mais do mesmo.



As mesmas músicas, as mesmas fotos, os mesmos lugares, as mesmas pessoas.
As mesmas imagens, os mesmos sabores, os mesmos cheiros, as mesmas sensações.
Os mesmos gostos, as mesmas vontades, os mesmos medos...

... as mesmas saudades.

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

"You are young and life is long and there is time to kill today."



Eu sempre reclamei tanto da falta de tempo. Era sempre mentira, embora na época eu achasse que era verdade. Usava o tempo como desculpa pra tudo: pra não ter comparecido a uma festa, pra descartar um convite que não queria aceitar, por não ter retornado uma ligação, feito uma visita, por ter esquecido um aniversário. Mas era mesmo só desculpa.
"Ah, estou numa correria...!"
Pois agora é verdade. Cursando 11 disciplinas na faculdade [sendo uma delas à tarde], trabalhando 3 vezes por semanas, fazendo terapia, acupuntura, tentando criar raízes religiosas... Me sobram as segundas-feiras à tarde. Eu deveria voltar a fazer natação, mas não consigo abrir mão de um dos últimos tempinhos livres que eu tenho pra ficar deitada no sofá.
"Ela está mentindo de novo", alguém dirá, "ela ainda não sabe o que é estar realmente sem tempo".
Em minha defesa, eu digo que sei. Ou que, ao menos, imagino. Porque quando eu estiver em um trabalho integral, de segunda a sexta, das 8h às 18h, com filhos pra criar, marido e casa pra cuidar, não terei tempo nem de pensar em sentar no sofá. Com sorte, arrumarei uma brecha pra fazer alguma atividade que me faça esquecer do mundo, dos problemas, do cansaço e, é claro, da falta de tempo. Aí eu vou pensar que, mais de uma vez, eu menti pra mim mesma e para todos sobre não ter tempo pra nada.
Mas minha mãe sempre disse para não sofrer por antecipação. Portanto, não vou me afligir pelo futuro, tampouco menosprezar minhas aflições do presente.
Por isso, aceitem minha desculpa mais verdadeira e sincera. Pois eu digo, me baseando no presente: "Não tenho tempo pra nada".

Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

Feliz Ano Novo

Eu só quero que 2008 acabe logo.
Porque ele foi tão tão tão ruim, que 2009 só pode ser melhor.
Tem que ser melhor.
Ai dele [e de mim] se não for.

Sábado, Novembro 08, 2008

Update yourself

Ontem eu cortei o cabelo.
Hoje recusei Mc Donald's.

Pra quem não está dentro da minha cabeça, não é possível compreender o quão significativos são esses dois fatos, nesse momento da minha vida.
É que eu sinto, nas duas últimas semanas, que uma nuvem escura saiu da minha frente. Eu consigo enxergar de novo. Ainda reclamo, claro, mas muito menos. Sinto menos vontade de esbravejar contra a vida. Nenhum dos entraves da minha vida desapareceu, mas é como se eu não os percebesse mais [tanto].
Estou viciada em LOST [depois que a febre de todo mundo passou], sofrendo uma overdose de Beatles e lendo Sartre e Leopardi para um trabalho. Tenho vontade de fazer coisas novas, minha mente divaga de novo, ganhei um afilhado que ainda não conheci, descobri que a minha felicidade está diretamente ligada à felicidade da minha mãe, quero fazer uma tatuagem, preciso de músicas novas.
É a primavera? É o inferno astral do avesso?
Who knows, who cares?

Segunda-feira, Setembro 15, 2008

A metáfora.

"Separe os pedaços da sua pizza. Faça cada fatia de um sabor, ou você vai acabar com uma pizza inteira e enorme de aliche, sem saber o que fazer com ela. Você não gosta de aliche, gosta?" - disse minha mãe.

***

Melhorando, em doses homeopáticas [literalmente].

Sexta-feira, Agosto 29, 2008

"If you were faced with Him in all his Glory,
What would you ask if you had just one question?"




Aquela coisa das alternâncias: amor, trabalho, família [e podemos também incluir saúde].
Nunca estão em equilíbrio. O sucesso de uns implica o desastre de algum, e vice-versa.
E desilusão. Com relação ao ser-humano, em específico.
Não acredito mais nas pessoas. Não tenho propósitos. Não vejos fins nem meios, não enxergo perspectivas. As razões que encontro não me convencem, as respostas parecem vazias.
É simples assim: não acredito. Não tenho mais fé nas pessoas. Correndo o risco de soar uma fanática religiosa: só Deus salva. Sim, nessa coisa que a gente chama de Deus eu ainda tenho fé. Porque essa droga toda não pode ser em vão. E se não fosse esse pensamento - de que isso tudo deve ter um motivo, de que deve existir algo maior [por favor, que exista algo maior, algo que não essa mesquinhez, pequenez e hipocrisia humana] - eu não sei como [e se] eu conseguiria.
Não sou mais capaz de enxergar a beleza das pequenas coisas, de aproveitar os momentos da vida. Não. Eu só vejo trânsito, obrigações, pressa, falta de tempo, mau-humor, sono, falta de vontade, pessoas desprezíveis - somos desprezíveis, todos nós - caos planetário [sim, esses problemas ecológicos todos causados por nós, seres desprezíveis]. Nada disso me faz ter mais consciência ecológica ou vontade de militar no Greenpeace, amarrada às árvores da Amazônia ou ajudando a resgatar bebês tartaruga nas praias do Pacífico, virar vegetariana ou tomar banho mais depressa, lembrar da fome na África ou levar esperança aos miseráveis do sertão nordestino. Porque eu também sou hipócrita.
É uma desesperança. Uma descrença em tudo e em todos, menos na idéia de que deve existir - tem que existir - o "motivo", o "algo maior".
Por favor, Deus, exista. Não suporto mais essa vontade de chorar.
Alguém me ensine de novo como é viver sem amargura.

Segunda-feira, Maio 05, 2008

E como pode que certas coisas não morrem nunca?
Quando eu penso que morreram, eu percebo que ainda estão aqui. Escondidinhas, quietinhas, encolhidinhas no canto mais escuro, mas fazendo questão de arranhar as paredes de vez em quando, de leve, só pra avisar "olha, ainda estamos aqui".
De vez em quando o arranhão incomoda, às vezes arrepia, às vezes eu nem percebo, às vezes vem junto com lágrimas.
Vocês não vão embora nunca?
Eu não ouço resposta, mas tenho a impressão de que elas confirmam o meu medo num tom mais leve que o de um sussurro: "nunca".

Além dos olhos.

Outro dia o céu parecia uma pintura. Era cor de laranja e as nuvens estavam arrumadinhas no céu como uma horta de algodão-doce.
Em um desses fins de tarde, a lua também parecia de tinta. Não estava grande, na verdade estava até pequena demais. Se eu esticasse os dedos e a pegasse, preencheria a palma da minha mão como um pêssego. Dos bem carnudos.

Eu, eu mesma.

- Você por aqui?
- De novo.
- Mas depois de todo esse tempo?
- É... "O eterno retorno"...
- Eu sei como é.
- Imaginei que soubesse.
- Ainda nada de novo?
- Nada. E tudo.
- Ao mesmo tempo?
- Sempre.
- Ainda igual?
- E diferente.
- "O eterno retorno"...
- Exatamente.

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Por enquanto.

Nossa, já passou tudo isso de tempo?! O ano mudou e eu não disse nada?!
Nem dá pra explicar o quanto isso é estranho, levando em consideração que esse período outubro-dezembro é, sempre, o mais crítico do ano.
E não posso dizer que foi por falta de drama, porque isso esse período teve muito. Mas é que esse caos e essa nebulosa das quais eu falei aí embaixo são tão maiores que tudo que sequer os dramas foram fortes o suficiente pra me abalar.
Minto. Foram suficientes pra abalar sim, mas não foram suficientes pra me fazer entrar em crise. Quase. Mas não. Surpreendentemente, não. Foi o bastante, no entanto, pra despertar em mim as coisas boas de sempre e me devolver antigos hábitos. Eu tive epifanias constantes, voltei a escrever em rascunhos de papel e sentia o mundo à flor da pele. Assim, no passado, mas continua. Com menos freqüência e menos intensidade, mas continua.
Minto também se disser que não sou mais dividida. Sou sim, muito, todos os dias. Mas parece que agora não sou mais cortada pela metade ou que fiquei com a menor parte de mim. Ao contrário, eu sinto que agora eu tenho a parte maior, e isso é um tanto que faz uma diferença até prática [no sentido oposto a teórica] de tão grande.
Cada coisa em seu lugar, em sua dimensão e em sua hora. Cada coisa separada e compreendida do jeito que é e que tem que ser.
Sem impaciência.
Com uma calma que não me pertence.

Domingo, Outubro 28, 2007

Quando eu não quis...

"Era um caos e uma nebulosa tão maravilhosos que ela apertou a mão dele para que alguém a segurasse na terra."
[Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, Clarice Lispector]

É que ele me enxerga e me sabe antes dos outros.
Que ele é uma luz tão grande e linda que transborda.
Ele vê o bonito da vida e sente o gosto do mundo.
A poesia das palavras dele é tão genuína que arde os olhos.
E ainda por cima, nossas mãos e nossos braços se cabem. [De um jeito que não se explica.]

***

Sem nostalgias nem brisas, mas vendavais e trovejadas surpreendentes.

Sexta-feira, Setembro 28, 2007

Assim é que é.

Tenho uma relação muito interessante com os outubros [e com os setembros também].
É sempre o desamparo, o encontro, a renovação. E a lembrança e a saudade de tudo o que foi [de bom].
Ainda não estou sentindo a nostalgia nem as brisas mornas. É como se fossem elas que estivessem faltando pra tudo se acertar. Como se as certezas do passado e as esperanças do futuro, juntas, resolvessem o presente.
É assim: quando aquele sopro fresco vem, agitando as árvores e os cabelos, leva embora de vez as velhas angústias e me inunda de serenidade. Uma serenidade tão legítima, tão cheia de sorrisos. "Foi só um momento e vi-me", mais uma vez. E tudo clareia.
Por enquanto, nem um vislumbre. Mas eu sei que hão de vir.

Terça-feira, Setembro 18, 2007

Rascunho

Há uma semana, num pedaço de papel:

"Já não se sabe mais.
O que aconteceu com aquelas certezas?
Vazio.
O tempo escorre. Os planos são apenas pretensões. Na imagem do futuro, não há ninguém. Se muito, eu mesma. Fazendo o quê? Muito, mas não se sabe.
Pretensões...
A idéia de ter gatos me apavora.

***

É necessário.
Não sei se e quando, mas não agora.
Não por imposição, mas por vontade.
Pasmem: estou aprendendo a ser.
[Por mim e para mim.]"

Hoje:

É sempre assim, acontece de uma vez.
Sem meio termo: de repente é tudo e, num instante, nada.
É tanto e tão rápido.
A gente nem vê o que foi. Só tem certeza de que não é, de que não sabe o que vai ser.

Domingo, Agosto 19, 2007

"How does it feel?"



[And it tastes wonderful.]