Eu

Beatriz, 24.
Letras.
Noite, lua, vento, livros, batata frita e chocolate.
Sonha, reclama e acaba sempre com os pés bem firmes no chão.
Um pouco de tudo, uma boa dose de nada, mais que isso, menos que aquilo, e bastante além de tudo.

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Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Um dia perfeito.

Acordar tarde, calor, jazz, encontros agradáveis.

Depois de muito [quanto!] tempo, senti que era eu mesma de novo.

Segunda-feira, Agosto 24, 2009



A rua era um mar de pétalas. Haviam dito no rádio algo sobre vento e chuva na madrugada. Somente então me lembrei de ter despertado algumas vezes e percebido uma agitação incomum nas árvores, mas havia sido como num sonho e eu não tinha certeza se de fato acontecera.
Ao me dar conta das cores vibrantes que forravam o chão naquele dia nublado, eu sorri. Tive vontade de descer do carro e pegar um punhado delas, sentir a textura, o gosto e o cheiro de cada cor, mas a pressa que chamava não me permitiu fazê-lo. Apesar da iminência dos distúrbios cotidianos todos e do céu emburrado, o asfalto áspero coberto de pétalas que rodopiavam ao vento e o cheiro das pequenas gotas que estavam por vir foram inebriantes, e eu continuava a sorrir.

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Cara nova

Quero mudar o layout do blog.
Depois de seis anos, preciso de luz.

[Meu Deus, seis anos?!]

Quarta-feira, Julho 29, 2009

Reborn

Há dias o coração bate sem parar, diferente. Basta prestar atenção por um segundo e ela sente: tum-tum, tum-tum, tum-tum. Os ouvidos latejando com o ritmo que não se acelerava dessa forma há anos. Anos! Veja só como as coisas são. Aquela centelha que ela pensava ter perdido ainda estava viva lá no fundo. O tempo todo. Ela só não sabia enxergar. Ou não queria?
Sempre tantas ocupações, tantas preocupações, tantas reclamações. Há tempos já havia se rendido ao bloqueio criativo, à falta de fantasia nas coisas, à idéia da vida adulta compromissada. O auge do conformismo. E de repente era isso de novo, inquieta, extasiada, deslumbrada. Tum-tum, tum-tum, tum-tum.
O sangue corre depressa, a vontade borbulha intempestiva. Parece a vida, o todo, o mundo, o deus dizendo: “Estou te avisando. É agora ou nunca.”. Mas e o medo? E a insegurança? E as desculpas esfarrapadas de sempre? Eu não sei, eu não consigo, eu não tenho tempo.

“Estou avisando.”

Tum-tum, tum-tum, tum-tum.

Domingo, Julho 26, 2009

Justo agora que tinha escrito algo diferente depois de tanto tempo, a sessão expira e eu perco tudo.

A falta de prática me apunhalou no peito.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Ausência

Preciso voltar a escrever.

Segunda-feira, Março 30, 2009

Mais do mesmo.



As mesmas músicas, as mesmas fotos, os mesmos lugares, as mesmas pessoas.
As mesmas imagens, os mesmos sabores, os mesmos cheiros, as mesmas sensações.
Os mesmos gostos, as mesmas vontades, os mesmos medos...

... as mesmas saudades.

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

"You are young and life is long and there is time to kill today."



Eu sempre reclamei tanto da falta de tempo. Era sempre mentira, embora na época eu achasse que era verdade. Usava o tempo como desculpa pra tudo: pra não ter comparecido a uma festa, pra descartar um convite que não queria aceitar, por não ter retornado uma ligação, feito uma visita, por ter esquecido um aniversário. Mas era mesmo só desculpa.
"Ah, estou numa correria...!"
Pois agora é verdade. Cursando 11 disciplinas na faculdade [sendo uma delas à tarde], trabalhando 3 vezes por semanas, fazendo terapia, acupuntura, tentando criar raízes religiosas... Me sobram as segundas-feiras à tarde. Eu deveria voltar a fazer natação, mas não consigo abrir mão de um dos últimos tempinhos livres que eu tenho pra ficar deitada no sofá.
"Ela está mentindo de novo", alguém dirá, "ela ainda não sabe o que é estar realmente sem tempo".
Em minha defesa, eu digo que sei. Ou que, ao menos, imagino. Porque quando eu estiver em um trabalho integral, de segunda a sexta, das 8h às 18h, com filhos pra criar, marido e casa pra cuidar, não terei tempo nem de pensar em sentar no sofá. Com sorte, arrumarei uma brecha pra fazer alguma atividade que me faça esquecer do mundo, dos problemas, do cansaço e, é claro, da falta de tempo. Aí eu vou pensar que, mais de uma vez, eu menti pra mim mesma e para todos sobre não ter tempo pra nada.
Mas minha mãe sempre disse para não sofrer por antecipação. Portanto, não vou me afligir pelo futuro, tampouco menosprezar minhas aflições do presente.
Por isso, aceitem minha desculpa mais verdadeira e sincera. Pois eu digo, me baseando no presente: "Não tenho tempo pra nada".

Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

Feliz Ano Novo

Eu só quero que 2008 acabe logo.
Porque ele foi tão tão tão ruim, que 2009 só pode ser melhor.
Tem que ser melhor.
Ai dele [e de mim] se não for.

Sábado, Novembro 08, 2008

Update yourself

Ontem eu cortei o cabelo.
Hoje recusei Mc Donald's.

Pra quem não está dentro da minha cabeça, não é possível compreender o quão significativos são esses dois fatos, nesse momento da minha vida.
É que eu sinto, nas duas últimas semanas, que uma nuvem escura saiu da minha frente. Eu consigo enxergar de novo. Ainda reclamo, claro, mas muito menos. Sinto menos vontade de esbravejar contra a vida. Nenhum dos entraves da minha vida desapareceu, mas é como se eu não os percebesse mais [tanto].
Estou viciada em LOST [depois que a febre de todo mundo passou], sofrendo uma overdose de Beatles e lendo Sartre e Leopardi para um trabalho. Tenho vontade de fazer coisas novas, minha mente divaga de novo, ganhei um afilhado que ainda não conheci, descobri que a minha felicidade está diretamente ligada à felicidade da minha mãe, quero fazer uma tatuagem, preciso de músicas novas.
É a primavera? É o inferno astral do avesso?
Who knows, who cares?

Segunda-feira, Setembro 15, 2008

A metáfora.

"Separe os pedaços da sua pizza. Faça cada fatia de um sabor, ou você vai acabar com uma pizza inteira e enorme de aliche, sem saber o que fazer com ela. Você não gosta de aliche, gosta?" - disse minha mãe.

***

Melhorando, em doses homeopáticas [literalmente].

Sexta-feira, Agosto 29, 2008

"If you were faced with Him in all his Glory,
What would you ask if you had just one question?"




Aquela coisa das alternâncias: amor, trabalho, família [e podemos também incluir saúde].
Nunca estão em equilíbrio. O sucesso de uns implica o desastre de algum, e vice-versa.
E desilusão. Com relação ao ser-humano, em específico.
Não acredito mais nas pessoas. Não tenho propósitos. Não vejos fins nem meios, não enxergo perspectivas. As razões que encontro não me convencem, as respostas parecem vazias.
É simples assim: não acredito. Não tenho mais fé nas pessoas. Correndo o risco de soar uma fanática religiosa: só Deus salva. Sim, nessa coisa que a gente chama de Deus eu ainda tenho fé. Porque essa droga toda não pode ser em vão. E se não fosse esse pensamento - de que isso tudo deve ter um motivo, de que deve existir algo maior [por favor, que exista algo maior, algo que não essa mesquinhez, pequenez e hipocrisia humana] - eu não sei como [e se] eu conseguiria.
Não sou mais capaz de enxergar a beleza das pequenas coisas, de aproveitar os momentos da vida. Não. Eu só vejo trânsito, obrigações, pressa, falta de tempo, mau-humor, sono, falta de vontade, pessoas desprezíveis - somos desprezíveis, todos nós - caos planetário [sim, esses problemas ecológicos todos causados por nós, seres desprezíveis]. Nada disso me faz ter mais consciência ecológica ou vontade de militar no Greenpeace, amarrada às árvores da Amazônia ou ajudando a resgatar bebês tartaruga nas praias do Pacífico, virar vegetariana ou tomar banho mais depressa, lembrar da fome na África ou levar esperança aos miseráveis do sertão nordestino. Porque eu também sou hipócrita.
É uma desesperança. Uma descrença em tudo e em todos, menos na idéia de que deve existir - tem que existir - o "motivo", o "algo maior".
Por favor, Deus, exista. Não suporto mais essa vontade de chorar.
Alguém me ensine de novo como é viver sem amargura.

Segunda-feira, Maio 05, 2008

E como pode que certas coisas não morrem nunca?
Quando eu penso que morreram, eu percebo que ainda estão aqui. Escondidinhas, quietinhas, encolhidinhas no canto mais escuro, mas fazendo questão de arranhar as paredes de vez em quando, de leve, só pra avisar "olha, ainda estamos aqui".
De vez em quando o arranhão incomoda, às vezes arrepia, às vezes eu nem percebo, às vezes vem junto com lágrimas.
Vocês não vão embora nunca?
Eu não ouço resposta, mas tenho a impressão de que elas confirmam o meu medo num tom mais leve que o de um sussurro: "nunca".

Além dos olhos.

Outro dia o céu parecia uma pintura. Era cor de laranja e as nuvens estavam arrumadinhas no céu como uma horta de algodão-doce.
Em um desses fins de tarde, a lua também parecia de tinta. Não estava grande, na verdade estava até pequena demais. Se eu esticasse os dedos e a pegasse, preencheria a palma da minha mão como um pêssego. Dos bem carnudos.

Eu, eu mesma.

- Você por aqui?
- De novo.
- Mas depois de todo esse tempo?
- É... "O eterno retorno"...
- Eu sei como é.
- Imaginei que soubesse.
- Ainda nada de novo?
- Nada. E tudo.
- Ao mesmo tempo?
- Sempre.
- Ainda igual?
- E diferente.
- "O eterno retorno"...
- Exatamente.